O Brasil mostra que sabe fazer rock
Por Marcus Sousa
Pela primeira vez o Brasil têm uma faculdade voltada especificamente para a formação de produtores e músicos de rock. Ela fica na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O músico, compositor e escritor Frank Jorge, que possui mais de 20 anos de carreira, é um dos coordenadores do curso. Nascido em Porto Alegre, Frank é formado em Letras pela Puc-RS e em Radialismo pelo Senac. Já fez parte de diversas bandas gaúchas, entre elas a Graforréia Xilarmônica, Cascavelletes e Cowboys Espirituais. Em entrevista exclusiva, feita por e-mail ao nosso blog, Frank contou mais sobre a faculdade, e como avalia o rock brasileiro.
Marcus - Como surgiu a idéia de criar uma faculdade especializada em Rock?
Frank - A idéia está ligada a um convite-provocação do poeta e jornalista Fabrício Carpinejar - coordenador do Curso de Formação de Escritores e Agentes Literários da Unisinos - que diagnosticou um espaço para a criação de um curso de música na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos. A preocupação não foi criar um curso destinado apenas ao rock, mas sim, um curso de música diferenciado, de curta duração, constituído por atividades acadêmicas(conteúdos) que dialogassem com o mercado atual da música: história da música, história do rock, legislação e direito autoral, produção de gravação, e etc. Uma equipe qualificada desenvolveu o projeto e o marketing da universidade achou interessante observarmos este nicho composto por jovens que já atuam ou querem entrar no segmento de música pop-rock. Este aspecto foi fundamental para definirmos o nome do curso. Mas destacamos: o profissional formado pelo Curso Superior de Formação de Produtores e Músicos de Rock poderá atuar no mercado em diferentes funções, independentemente do estilo musical.
Marcus - No curso, existe alguma ênfase dada ao Rock Brasileiro?
Frank - Na atividade História do Rock abordamos a origem e o desenvolvimento do rock, incluindo aí, os primeiros passos e demais momentos do rock brasileiro. Abordamos desde os primeiros registros feito pela Nora Ney no decorrer dos anos 50, passando pelos irmãos Celly e Tony Campello, Jovem Guarda, Tropicalismo, Anos 70 com a sua mistura de rock progessivo e rock rural, Anos 80 com uma verdadeira avalanche de bandas influenciadas pelo punk-new wave - Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Titãs, Ira! a por aí vai, chegando aos dias de hoje, com a descaracterização das grandes gravadoras como suporte obrigatório e o advento da internet como ferramenta de divulgação e consolidação de público, assim como o uso da informática e o home-estúdio como opção preferencial para os artistas, iniciantes ou não.
Marcus - Qual o estereótipo dos alunos que frequentam o curso?
Frank - Jovens na faixa dos 19 aos 30 anos que encaram a música como opção séria de trabalho e buscam aprofundamento de conteúdos. Estamos concluindo o segundo semestre da primeira turma e acredito que muitos alunos vão definir sua área de atuação a partir do desenrolar dos demais Módulos. Temos jovens compositores, bons instrumentistas, alunos mais interessados em softwares de áudio e produção de discos.
Marcus - Como você avalia a importância do rock na formação da cultura brasileira?
Frank - A importância é muito grande e é inegável que faz parte - principalmente desde o fim dos anos 50 - da nossa formação. O rock já foi visto por segmentos conservadores como um produto imperialista, uma música que não tem identificação com nosso país, mas o tempo tem mostrado o contrário: criamos nossa maneira de compor e entender o rock. Poderíamos dizer que artistas como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Os Mutantes, Novos Baianaos, Los Hermanos e muitos outros souberam captar e traduzir a influência do rock internacional num produto novo, com características e elementos genuínos da cultura brasileira. Los Hermanos mistura no seu som, o rock, a uma poética carnavalesca e os tropicalistas colocaram no mesmo caldeirão guitarras e Carmem Miranda.
Marcus - Como você vê a cena do Rock Brasileiro atualmente?
Frank - Muito diversficada em termos de estilo, autônoma e fértil em cada região e estado deste país.
Marcus - Na sua opinião, existe alguma tendência que o rock brasileiro está seguindo, ou deverá seguir?
Frank - Não acredito muito nisto, entretanto, o público tem reagido positivamente às bandas identificados como "emotional-hard-core", no caso, as banda EMOS, como dizem alguns. As próprias bandas por vezes, não gostam destas classificações, e com razão, pois isto restringe o seu público. Mas tem bandas que não escapam desta classificação como CPM 22, Fresno, NX Zero, Dead Fish. Bandas com inspiração sessentista - fãs de The Beatles, Rolling Stones, The Kinks, The Who - também existem aos montes pelo país, e as bandas que fazem samba-rock, influenciadas pelo Jorge Benjor, Bebeto, Pau Brasil, também. O segmento heavy-metal e HM melódico é forte e merece todo o respeito, corre por fora do mercado, tem grande público e bandas como Krisium e Hangar tem excelente público no exterior.
Marcus - Para você, quais são as principais bandas de rock brasileiro de todos os tempos?
Frank - Mutantes, Made in Brazil, Bixo da Seda, Ira!, Los Hermanos.
Pela primeira vez o Brasil têm uma faculdade voltada especificamente para a formação de produtores e músicos de rock. Ela fica na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. O músico, compositor e escritor Frank Jorge, que possui mais de 20 anos de carreira, é um dos coordenadores do curso. Nascido em Porto Alegre, Frank é formado em Letras pela Puc-RS e em Radialismo pelo Senac. Já fez parte de diversas bandas gaúchas, entre elas a Graforréia Xilarmônica, Cascavelletes e Cowboys Espirituais. Em entrevista exclusiva, feita por e-mail ao nosso blog, Frank contou mais sobre a faculdade, e como avalia o rock brasileiro.
Marcus - Como surgiu a idéia de criar uma faculdade especializada em Rock?
Frank - A idéia está ligada a um convite-provocação do poeta e jornalista Fabrício Carpinejar - coordenador do Curso de Formação de Escritores e Agentes Literários da Unisinos - que diagnosticou um espaço para a criação de um curso de música na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos. A preocupação não foi criar um curso destinado apenas ao rock, mas sim, um curso de música diferenciado, de curta duração, constituído por atividades acadêmicas(conteúdos) que dialogassem com o mercado atual da música: história da música, história do rock, legislação e direito autoral, produção de gravação, e etc. Uma equipe qualificada desenvolveu o projeto e o marketing da universidade achou interessante observarmos este nicho composto por jovens que já atuam ou querem entrar no segmento de música pop-rock. Este aspecto foi fundamental para definirmos o nome do curso. Mas destacamos: o profissional formado pelo Curso Superior de Formação de Produtores e Músicos de Rock poderá atuar no mercado em diferentes funções, independentemente do estilo musical.
Marcus - No curso, existe alguma ênfase dada ao Rock Brasileiro?
Frank - Na atividade História do Rock abordamos a origem e o desenvolvimento do rock, incluindo aí, os primeiros passos e demais momentos do rock brasileiro. Abordamos desde os primeiros registros feito pela Nora Ney no decorrer dos anos 50, passando pelos irmãos Celly e Tony Campello, Jovem Guarda, Tropicalismo, Anos 70 com a sua mistura de rock progessivo e rock rural, Anos 80 com uma verdadeira avalanche de bandas influenciadas pelo punk-new wave - Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Titãs, Ira! a por aí vai, chegando aos dias de hoje, com a descaracterização das grandes gravadoras como suporte obrigatório e o advento da internet como ferramenta de divulgação e consolidação de público, assim como o uso da informática e o home-estúdio como opção preferencial para os artistas, iniciantes ou não.
Marcus - Qual o estereótipo dos alunos que frequentam o curso?
Frank - Jovens na faixa dos 19 aos 30 anos que encaram a música como opção séria de trabalho e buscam aprofundamento de conteúdos. Estamos concluindo o segundo semestre da primeira turma e acredito que muitos alunos vão definir sua área de atuação a partir do desenrolar dos demais Módulos. Temos jovens compositores, bons instrumentistas, alunos mais interessados em softwares de áudio e produção de discos.
Marcus - Como você avalia a importância do rock na formação da cultura brasileira?
Frank - A importância é muito grande e é inegável que faz parte - principalmente desde o fim dos anos 50 - da nossa formação. O rock já foi visto por segmentos conservadores como um produto imperialista, uma música que não tem identificação com nosso país, mas o tempo tem mostrado o contrário: criamos nossa maneira de compor e entender o rock. Poderíamos dizer que artistas como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Os Mutantes, Novos Baianaos, Los Hermanos e muitos outros souberam captar e traduzir a influência do rock internacional num produto novo, com características e elementos genuínos da cultura brasileira. Los Hermanos mistura no seu som, o rock, a uma poética carnavalesca e os tropicalistas colocaram no mesmo caldeirão guitarras e Carmem Miranda.
Marcus - Como você vê a cena do Rock Brasileiro atualmente?
Frank - Muito diversficada em termos de estilo, autônoma e fértil em cada região e estado deste país.
Marcus - Na sua opinião, existe alguma tendência que o rock brasileiro está seguindo, ou deverá seguir?
Frank - Não acredito muito nisto, entretanto, o público tem reagido positivamente às bandas identificados como "emotional-hard-core", no caso, as banda EMOS, como dizem alguns. As próprias bandas por vezes, não gostam destas classificações, e com razão, pois isto restringe o seu público. Mas tem bandas que não escapam desta classificação como CPM 22, Fresno, NX Zero, Dead Fish. Bandas com inspiração sessentista - fãs de The Beatles, Rolling Stones, The Kinks, The Who - também existem aos montes pelo país, e as bandas que fazem samba-rock, influenciadas pelo Jorge Benjor, Bebeto, Pau Brasil, também. O segmento heavy-metal e HM melódico é forte e merece todo o respeito, corre por fora do mercado, tem grande público e bandas como Krisium e Hangar tem excelente público no exterior.
Marcus - Para você, quais são as principais bandas de rock brasileiro de todos os tempos?
Frank - Mutantes, Made in Brazil, Bixo da Seda, Ira!, Los Hermanos.

3 Comments:
Adorei a entrevista... E o tema foi inovador e muito bem escolhido! Gostei mesmo, parabéns! ^^
Marcus,
Muito boa a sua matéria. Você mostrou uma novidade, conseguiu uma entrevista exclusiva, fez uso da Internet para conseguir essa entrevista – diga-se de passagem, num curso de Jornalismo On Line exemplifica o poder dessa ferramenta para uso do jornalismo.
Fez uma boa pauta, perguntas pertinentes e esclarecedoras. A matéria ficou mais longa, mas nem se percebe isso lendo, tão bom ficou seu material.
Só não entendi por que escolheu somente o CPM 22 e o NX Zero para serem brindados com links. Você falou de outras bandas e ficou devendo isso para os fãs. Concordo que aí ficaria parecendo a Wikipédia. Mas só o link para a faculdade de Rock já salvou sua pele.
Parabéns. Ficou Ótimo
Adauto Molck
Marcus, achei ótima sua matéria pela novidade. É super interessante trazer coisas novas pro leitor. E como eu, acredito que poucos sabiam da existência desse curso. Parabéns por sua curiosidade e disponibilidade de fazer uma entrevista on line trazendo um assunto novo.Ficou muito bacana mesmo!
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