sexta-feira, novembro 09, 2007

Discos raros são valorizados no mercado

Carmem Moraes

"Por serem raros, difíceis de encontrar, 99% dos LPs, desde que estejam em sua perfeita conservação, são mais caros que o correspondente em CD". Essa afirmação é de Rafael Alves de Oliveira, ou melhor, DJ Comédia, colecionador de vinil há cerca de três anos e apreciador de um "bolachão" clássico há muito mais. Luiz Carlos Sanajotti, proprietário de sebo Sapiente, localizado em Americana-SP, confirma que dependendo da raridade do disco o preço pode ser muito superior a uma edição moderna.

"Tenho algumas coisas de Led Zeppelin, Janis Joplin, Woodstock, coleciono também a linha nacional do MPB, Samba, Samba Rock, Gafieira e música de preto (sic) em geral", conta o DJ. O colecionador possui mais de 500 LPs, (abreviação para Long Play). "Pode ter muita gente com mais, mas existem LPs que custam R$ 1, como de novelas e coletâneas", ressalta. Comédia acrescenta que em breve pretende triplicar sua coleção.

De acordo com o DJ, um preço de um disco de vinil clássico varia de R$ 50 a R$ 200 cada. O mais valioso de sua coleção é o Tim Maia Racional 1, que vale R$ 300. Seu sonho de consumo seria o disco Waterfall de Paul McCartney. "É extremamente cobiçado, mas nunca achei para venda, não tenho nem idéia de quanto vale". "Tenho discos desde R$ 3,00 a R$ 150,00", conta Sanajotti. Este último valor se refere aos três primeiros discos da carreira de João Gilberto.

O DJ conta que existem alguns poucos e invejáveis colecionadores com discos estimados em até R$ 1500, como o de Jorge Ben, na época em que não havia o Jor, gravado no ao vivo no Japão. "É capaz que nem o próprio Jorge Ben saiba que existe mais de tão raro", brinca. O proprietário do sebo explica que existem algumas gravações que só podem ser encontradas em vinil. Este seria um dos fatores para a sobrevivência do disco e sua valorização.

Para possuir um vinil raro é preciso ter os relacionamentos certos. "No Rio de Janeiro ainda existe uma fábrica e no exterior se fabricam também, mas normalmente são 'promos' que acabam caindo na mão de DJs e colecionadores mais fanáticos e que tenham bons contatos", detalha Comédia. Seus principais fornecedores são os humildes sebos, Mercado Livre, e "contatos de pessoas das antigas que fornecem muita coisa rara". Sanajotti revela que amplia seu estoque comprando de pessoas interessadas em se desfazerem de “velharias”. O DJ é contra a fabricação de novos discos. "Por mais que voltem a fabricar, nada vai se comparar a ter um original de série", conclui.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Carmelita,
Como sempre seu texto está muito gostoso de ler, flui bem e prende a atenção até o fim.
Gostei do tema e me informei (o suficiente pelo tamanho da matéria) sobre o assunto.
Só senti falta de mais entrevistados, alguma coleção diferenciada, mais específica ou até mesmo um dos artistas que são motivos de coleção!
Do restante, Parabéns!!!

8:56 PM  
Anonymous Anônimo said...

Aluninha Carmem,

Uma matéria muito legal foi o que você fez. Escrita de uma forma leve e deixando claro esse seus estilo irreverente nato. Links funcionando. Eu particularmente gostei muito do tema, pois ainda tenho discos de vinil e ainda os ouço com uma certa freqüência – velho tem cada mania, não é?
O único ponto negativo é que você foge do tema rock. Você deveria ter direcionado suas entrevistas para o tema do blog. Um link para o site do Jorge Ben não é muito indicado para o blog que quer falar principalmente de rock, concorda?

Uma delícia ler sua matéria.

Ótimo (-)

Adauto Molck

8:07 PM  

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