segunda-feira, novembro 19, 2007

Jovens têm mais autonomia e mais acesso às drogas e bebidas

Fernanda Pexutti

“No primeiro dia de aula, colocaram cachaça na minha Coca-cola”, lembra o estudante do 4º ano de medicina veterinária, Diego Mariano Mendes. “Como eu era ‘bixo’, não tive escolha; foi aí que tomei meu primeiro porre de verdade”, conta.

Na faculdade onde o rapaz estuda, como em tantas outras, é tradição que o novato passe por uma espécie de prova para ser aceito pelos demais, o famoso trote. Quem não se sujeita é excluído pelos colegas. Na maioria das vezes, nesses trotes estão incluídos o uso de bebidas alcoólicas ou drogas. “Depois desse dia, nunca mais tomei Coca pura”, diz Mendes, que na faculdade também experimentou maconha.

Histórias como essas são comuns em universidades de todo o país, porém, para o psicólogo Valter Almeida, que desenvolve trabalhos na recuperação de dependentes químicos, o uso de drogas na juventude vem da combinação de três fatores: predisposição genética, convivência com drogas lícitas como cigarro e álcool desde a infância e oportunidade.

A questão genética, segundo o profissional, pode ser notada através da observação dos pais e parentes próximos. “Se o pai é alcoólico e a mãe fumante, por exemplo, esse filho chega a ter 50% de chance de se viciar em algum tipo de droga”, diz.

Os outros 50% são atribuídos à convivência com as drogas na infância, como no caso de pais fumantes e à oportunidade de entrar em contato com essas drogas.

Esse último fator se dá normalmente na adolescência e juventude. “Esse é um período de transformação em que o jovem faz muitas descobertas. Passa a ter mais autonomia, fica mais tempo longe dos pais, começa a freqüentar ambientes diferentes e a conhecer outras pessoas”, diz.

Dessa forma, para ele, a relação com o uso de drogas e bebidas alcoólicas na juventude e a entrada na faculdade, não se dá pelo ambiente em si e sim, pelo período vivido por esses estudantes. “Na juventude existe a contestação à figura dos pais, que começam à cobrar responsabilidade desse filho e em contrapartida, o jovem quer estar livre para ter suas próprias experiências. Nesse momento, as drogas são uma forma não só de se integrar a um grupo, como também de mostrar controle sobre sua própria vida, papel antes exercido pelos pais.”, completa.

Para o profissional, a prevenção ao uso de drogas nesse período da vida, não está em policiar os jovens e sim, em investir numa educação aberta ao diálogo, inclusive sobre drogas, desde a infância. Porém, quando o problema de dependência já está instalado, deve partir do próprio jovem o reconhecimento de sua situação e posteriormente a busca de ajuda psicológica ou de grupos de apoio como Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA), que dão bons resultados na recuperação desses pacientes.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Fernanda,

Seu título não mostra novidade. Isso é notório. Acho que você poderia partir da história de a faculdade não ser a responsável pela dependência química. Que é o que o psicólogo afirma. Também não ficou bom a repetição da palavra “mais”.
Legal abrir com a história do menino. Links funcionando. Matéria redondinha – ouviu personagem, ouviu uma fonte e amarrou bem a matéria.

Bom (+)

Adauto Molck

5:36 PM  
Anonymous Anônimo said...

Peixute, achei a matéria interessante, mesmo com o assunto sendo bem comum hoje em dia o seu texto é gostoso de ler, não é cansativo, acho que isso é bem importante já que internauta lê muito na correria. E achei bacana o relato da fonte no início da matéria.

Leila

7:43 PM  

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