O programa teve início em 2003, e entre os anos de 2005 e 2006 já foram formadas cerca de 400 crianças. O Policial Militar Edson Moura Machado, é o responsável pelo desenvolvimento do PROERD nas escolas da cidade. Machado está a dois anos no programa e diz que não é qualquer policial que pode ser instrutor do PROERD. “É preciso preencher um perfil que nem todos têm, não pode fumar ou ter vícios, tem que ser um bom exemplo para as crianças”, diz o policial.
O curso é realizado dentro da sala de aula, com o apoio do professor e por policiais militares devidamente treinados. Tem duração de dez semanas e ensina aos alunos técnicas de resistência à pressão de colegas e auxílio para as crianças dizerem não às drogas e a violência.
Alguns conceitos explorados pelo policial militar na sala de aula, é a auto-estima dos alunos, noções de civilidade e técnicas de autocontrole. Ele diz ainda, que a metodologia utilizada no programa é a construtivista, ou seja, a idéia é lançada aos alunos para fazer com que eles reflitam sobre o tema. “Ao tratarmos a auto-estima deles, é possível perceber a mudança no comportamento, o retorno é a participação dos alunos, a confiança que eles têm na autoridade do policial, muitas vezes sou conselheiro de alguns, que vêem até mim e relatam fatos ocorridos em suas casas” conclui.
Outro fator determinante no programa é a idade desses alunos, Machado diz que é entre os nove e doze anos que as crianças estão mais suscetíveis às drogas. “É nessa idade que os pais, professores e a sociedade devem ficar mais atentos, pois é a fase da experimentação, por isso temos que trabalhar desde cedo com as crianças”, diz o policial e também instrutor do PROERD.
Para a professora de inglês Alessandra Ferreira Pires, que participa das aulas durante o curso, o programa além de bom é muito criativo, pois estimula a participação dos alunos através de atividades desenvolvidas, como teatro, telejornal, cinema, entre outras. “O programa passa muita consciência, mostra os perigos da sociedade, os alunos gostam das atividades e até brigam para poder participar”, diz a professora.
O aluno Leonardo Gomes de Lima, da 6ª série, participou da última turma do PROERD da E.E. Aldo Angelini, e diz que gostava de tudo no curso. “O curso é legal, o policial ensina coisas boas pra gente, eu aprendi que nunca devo usar drogas e nem brigar com as pessoas”, diz o estudante. Lucas Gomes de Lima, hoje na 8ª série, foi aluno da 1ª turma do PROERD na cidade e diz que o curso é muito importante, pois há pais que não conversam com os filhos sobre drogas. “Meus pais nunca conversaram comigo sobre esse tema, o conhecimento que tenho sobre o assunto aprendi com o policial e em conversas com amigos”, desabafa.
O PROERD
A história do PROERD teve início após uma parceria entre o Departamento de Polícia de Los Angeles e o Distrito Escolar da cidade, recebendo o nome de D.A.R.E. (Drug Abuse Resistance Education). Da Califórnia o D.A.R.E. se expandiu para todos os Estados do país e para mais de quarenta países em todo o mundo. No Brasil, o programa foi implantado em 1992 e recebeu o nome de PROERD e hoje, além de São Paulo, já existe em outros Estados.
Atualmente o PROERD conta com três cursos: PROERD para 4ª e 6ª séries e PROERD para Pais, no qual os pais recebem orientações de como tratar o tema com seus filhos. Há também uma reivindicação de pais, professores e diretores de escola de todo o Brasil de incluir o curso na grade curricular do Ensino Fundamental. E segundo o policial militar Edson Moura Machado, o PROERD é o maior programa de combate às drogas do mundo.