domingo, novembro 05, 2006

Ecstasy: a 'pílula do amor' que se populariza entre os jovens


O ecstasy, popularmente conhecido como a "droga do amor" ou “bala”, é fortemente psicoativo. Embora tenha sido sintetizado em 1914 como moderador de apetite, nunca foi usado com essa finalidade. Por causar mudanças de percepção, a pílula é consumida principalmente pelos freqüentadores das raves, as famosas festas de música eletrônica que acontecem ao ar livre e em meio à natureza. A droga estimula o sistema nervoso central e, ao mesmo tempo, produz alterações sensoriais, podendo chegar até a alucinação. Portanto, não é mera coincidência a droga estar presente nas festas a céu aberto, as quais são também um verdadeiro movimento de “paz e amor” contemporâneo, composto por músicas que ecoam em todo o ambiente e por luzes e cores intensas.

“É indescritível o que sentimos depois de tomar a ‘bala’. Tudo fica mais acelarado e intenso. Sinto uma vontade enorme de dançar, pular, beijar e ser feliz. Fico mais carinhoso e também tenho que beber muita água, porque a boca fica completamente seca", relata o analista de sistemas R.T.M, de 23 anos. Usuário da droga há cerca de dois anos, R. só toma o ecstasy antes de ir para as festas. "Não me considero um viciado, porque não tomo as pílulas sempre, e tenho certeza que nunca vou passar mal", comenta.

De acordo com o psiquiatra Renato Marques, R. está enganado. A droga, mesmo consumida em pequena quantidade, aumenta o número de batimentos cardíacos, eleva a pressão arterial e produz elevação da temperatura, que pode levar a acessos convulsivos. “Ela descontrola a temperatura do corpo, as vezes causando febre de até 42 graus, e leva a uma intensa desidratação. Se quem o tomou não souber como se cuidar, pode até chegar à morte”, diz o médico. Além disso, o ecstasy é tóxico para os rins e fígado e pode causar seqüelas graves como a degeneração irreversível dos neurônios.

Apesar do perigo, a “bala” está cada vez mais popular. Sob a forma de comprimidos, a droga é encontrada com diversas variações temáticas. Elas possuem desenhos que, segundo alguns usuários, mostram os efeitos de cada pílula. Por exemplo, a que tem um coração deixa as pessoas mais amáveis e a da coroa dá a sensação de poder.

Alguns freqüentadores das raves se sentem agredidos ao serem confundidos com usuários de ecstasy, afinal, não são todas as pessoas que vão às festas que tem o hábito de se drogar. A estudante Angelina Carrilli, de 20 anos, é uma delas. Segundo ela, as raves resgatam valores hippies de paz e harmonia em tempos de guerra e violência. “Quando estou ali, dançando, sinto uma explosão de alegria dentro de mim. Com toda essa energia positiva esqueço dos meus problemas”, relata. Ela comenta ainda que não é preciso fazer o uso da droga para ficar animado nesse cenário, pelo contrário, que o tráfico existente nas festas só atrapalha a quem quer se divertir e ter momentos de paz.

A USP desenvolve um projeto chamado "Baladaboa". A palavra possui um duplo sentido, pois pode ser entendida como "balada boa" ou "bala da boa", fazendo referência ao apelido "bala" dado ao ecstasy. Isso revela o principal objetivo da iniciativa: atrair a atenção do usuário da droga para que ele se informe sobre seus riscos de forma realista.

Bianca Frari

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Bianca, evite o uso de dois pontos no título. O título deve ser objetivo e afirmativo. Talvez ficasse melhor assim: “Ecstasy ganha cada vez mais consumidores em baladas e raves”. Seu texto ficou muito bom. Claro, objetivo e explicativo. Ouviu os “três” lados da notícia: médico, jovem que usa e jovem que não gosta. Fez um bom link – muito útil para o leitor. E a foto também ficou legal.

NOTA 10

5:46 PM  
Anonymous Anônimo said...

Oi Bia, quanto tempo hein? Gostei do tema de sua matéria. Você entrevistou bastantes fontes e achei ótima sua linha de raciocínio. Seguem algumas percepções pessoais que podem servir como sugestão:

1)No primeiro parágrafo não tem a explicação do que é psicoativo;

2)A expressão “sintetizado” pode confundir o leitor. Procurei me informar no dicionário a respeito do termo, para eu entender melhor a frase, e não encontrei nenhum significado que me fizesse compreender o que o verbo quer dizer... por isso a frase não ficou clara pra mim; acho que essa frase não faria nenhuma falta se fosse retirada do lead. Ficou meio sem contexto.

3)Faltou no lead algum dado mais específico que “prove” em números, ou na percepção de alguém que não seja você, que a pílula está popular entre os jovens;

4)No terceiro parágrafo a explicação do médico está bem clara, mas quando você coloca após a citação a afirmação “Além disso, o ecstasy é tóxico para os rins e fígado e pode causar seqüelas graves como a degeneração irreversível dos neurônios” dá a impressão que é você quem está falando isso e não o médico;

5)No quarto parágrafo você mais uma vez afirma que a droga está mais popular, porém não fala qual é sua fonte.

6)A frase do quinto parágrafo “Por exemplo, a que tem um coração deixa as pessoas mais amáveis e a da coroa dá a sensação de poder” poderia ter sido escrita de uma forma mais clara, que não deixasse a entender que isso é verdade e sim que é uma percepção dos usuários.

Do mais é isso! bjokas

11:02 AM  

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