Consumo de drogas está relacionado à ausência paterna
A sociedade atual, caracterizada pela rotatividade de idéias, necessidades e pessoas, apresenta uma desvalorização da função paterna, que, anteriormente, era forte e servia de esteio para a família. A falta dessa função pode ser motivo para o crescimento do uso de drogas entre jovens. Assim como fizeram as mulheres nos anos 60, os homens da atualidade precisam galgar seu espaço nos lares e encontrarem novamente sua posição.
Para o psiquiatra Maurício Miguel Gadben, autor de uma tese de doutorado sobre dependência, a pessoa que é dependente não o é só de drogas e, sim, de tudo. “O viciado é um dependente não só do objeto do qual ele depende. A sua dependência é muito primitiva, o que acaba por comprometer toda sua vida”, afirma o médico.
De acordo com a tese de Gadben, as pessoas nascem extremamente dependentes e precisam do outro para adquirir recursos que possam levá-las à independência. Na medida que a realidade se impõe, é preciso estabelecer os limites para que a criança não se ache onipotente e, quem exerce essa função, é o pai, haja vista ser papel dele se tornar à realidade imposta entre o filho e a mãe.
“Ao tratar durante muitos anos de pacientes usuários compulsivos de drogas, percebi que a maioria deles, internados na Clínica Cristália, onde trabalho, não tinha quem exercesse adequadamente a função paterna em suas casas. Assim, eles adotavam comportamentos onipotentes, como se não precisassem ter medo da vida, assimilando-se a um bebê”, relata.
O viciado precisa de soluções mágicas e fantasiosas para lidar com a realidade, de forma a excluir sua incompetência. A partir desse momento, a droga ajuda a esconder a angústia e dá a sensação de prazer, de alívio. Para Gadben, a internação funciona nesses casos porque suspende, de forma incisiva, o vínculo da pessoa com o objeto do qual ela depende.
Ex-usuário, R. S. S., de 23 anos, sabe como é não conseguir lidar com a ausência da figura paterna em casa. Com 11 anos, seus pais se separaram e, a partir daí, ele não teve mais controle sobre aquilo que começou como curiosidade. “Meu pai nunca esteve muito presente na minha vida, já que ele vivia na rua, bebendo com os amigos. Depois da separação, eu resolvi experimentar maconha e viciei. Tive que sair de casa, ficar uns tempos fora, pra entender a burrice que eu tinha feito. Agora, estou bem”, explica Silva.
Ana Laura Jallageas
Para o psiquiatra Maurício Miguel Gadben, autor de uma tese de doutorado sobre dependência, a pessoa que é dependente não o é só de drogas e, sim, de tudo. “O viciado é um dependente não só do objeto do qual ele depende. A sua dependência é muito primitiva, o que acaba por comprometer toda sua vida”, afirma o médico.
De acordo com a tese de Gadben, as pessoas nascem extremamente dependentes e precisam do outro para adquirir recursos que possam levá-las à independência. Na medida que a realidade se impõe, é preciso estabelecer os limites para que a criança não se ache onipotente e, quem exerce essa função, é o pai, haja vista ser papel dele se tornar à realidade imposta entre o filho e a mãe.
“Ao tratar durante muitos anos de pacientes usuários compulsivos de drogas, percebi que a maioria deles, internados na Clínica Cristália, onde trabalho, não tinha quem exercesse adequadamente a função paterna em suas casas. Assim, eles adotavam comportamentos onipotentes, como se não precisassem ter medo da vida, assimilando-se a um bebê”, relata.
O viciado precisa de soluções mágicas e fantasiosas para lidar com a realidade, de forma a excluir sua incompetência. A partir desse momento, a droga ajuda a esconder a angústia e dá a sensação de prazer, de alívio. Para Gadben, a internação funciona nesses casos porque suspende, de forma incisiva, o vínculo da pessoa com o objeto do qual ela depende.
Ex-usuário, R. S. S., de 23 anos, sabe como é não conseguir lidar com a ausência da figura paterna em casa. Com 11 anos, seus pais se separaram e, a partir daí, ele não teve mais controle sobre aquilo que começou como curiosidade. “Meu pai nunca esteve muito presente na minha vida, já que ele vivia na rua, bebendo com os amigos. Depois da separação, eu resolvi experimentar maconha e viciei. Tive que sair de casa, ficar uns tempos fora, pra entender a burrice que eu tinha feito. Agora, estou bem”, explica Silva.
Ana Laura Jallageas
